O lado obscuro do fast fashion


O que define a moda sustentável e ética? Muitas marcas se autodefinem dessa forma, mas pouco conhecemos sobre os seus processos de produção até o consumidor final. O Fashion Hedge se propôs a explicar direito o que cada um significa. Mas, enumerando rapidamente, para uma empresa ser considerada ética ou consciente deve se encaixar nas seguintes características:

  • Fair trade (comércio justo)
  • Empregar mulheres ou grupos étnicos
  • Fabricação sem componentes animais
  • Não fazer testes em animais
  • Doar parte dos lucros para a caridade
  • Produzir em um país em desenvolvimento
  • Feito à mão
  • Remunerações justas
  • Contribuir para preservar as tradições de uma minoria étnica
  • Revelar locais de produção e políticas de trabalho
  • O produto em si aumenta a consciência ou promove um ideal ou uma causa.
Enquanto a sustentabilidade de uma determinada marca pode ser definida pelas atitudes a seguir:

  • Feito com fibras orgânicas, por vezes certificado por um organismo internacional como GOTS ou USDA
  • Feito com mais tecidos eco-friendly como cânhamo ou bambu (que precisam de menos química e/ou água para serem cultivados)
  • Origem natural dos tingimentos
  • Uso de tecidos descartados
  • Upcycling dos materiais utilizados
  • Feito com tecidos reciclados
  • Uso de menos colas tóxicas
  • Vestuário feito para durar muito tempo.

Dito isso, vemos logo de cara que lojas de fast fashion e grife não se encaixam em nenhum dos pontos citados. Somos constantemente bombardeados com notícias de marcas famosas ligadas à condição de trabalho análogo à escravidão.

As verdadeiras "fashion victims". Trabalhadoras de Bangladesh.
Muito além disso, a velocidade que o fast fashion promove no consumo não é nada sustentável a longo prazo, nem para o nosso bolso, nem para a natureza. Até alguns anos atrás, as coleções eram divididas em estações do ano e ponto. Hoje, esse rigor foi quebrado e vemos novas peças quase que diariamente. Sabe daquelas micro-tendências que vemos com frequência nas redes sociais?! Pois é. Em média, roupas descartáveis permanecem no armário de uma mulher apenas cinco semanas antes de serem jogadas fora. 

Já se questionou o tempo de decomposição de tecidos (especialmente sintéticos) no meio ambiente? E o prejuízo que o tingimento deles causam no solo? -- tendo em mente que no Brasil, a coleta do lixo não é nada ecológica. Já se perguntou como é possível aquelas blusinhas que você compra em sites da China custarem 5 dólares?

Estamos falando de uma indústria que movimenta US$2,5 trilhões e muitas vezes sequer garante um salário e condições dignas de trabalho. Leia aqui uma matéria completa sobre como funciona a cadeia produtiva da moda atual. 

Como você pode ajudar a mudar essa situação?

Diminuir o ritmo do consumo já é um começo. Você pode dar preferência as marcas de slow fashion (pretendo fazer um post sobre as minhas preferidas), e digo de antemão que muitas vezes os preços nem se destoam tanto já que o fast deixou de ser barato há bastante tempo. E também, aproveitar o que tem no seu guarda-roupa e fazer novas combinações. Brechós também são uma boa, já que de qualquer forma estará reaproveitando a peça.

Existe um aplicativo chamado Moda Livre, que é curado pelo Repórter Brasil, pioneiro em defender os direitos trabalhistas no país, que é bem interessante para ficar de olho nas empresas que compactuam com trabalho escravo.
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